23 de abril de 2015

Ria Formosa: a procissão dos passos saíu atrasada




Texto publicadona edição de hoje do jornal "Barlavento"

Ria Formosa: a procissão dos passos saíu atrasada

No velho espectáculo em que os partidos sentados nos órgãos de poder só agem depois dos gritos das populações, assistimos nos últimos dias ao multiplicar das declarações que assentam afinal, do lado do poder na intransigência de interesses escondidos e, a oposição, na premissa de que as Leis e os planos são omissos, alteráveis e não contemplam na sua plenitude o lado social. Se há aqui atraso da dita oposição, também há hipocrisia, porquanto as demolições já abateram interesses das famílias.
Até à primeira pedra derrubada e à primeira lança numa família desalojada e sem alternativas, a inteligência superior não tinha mexido um dedo e agora já temos debates, comissões de inquérito e propostas de alteração dos ditos planos, para diluir o conjunto das responsabilidades e no triste espectáculo de acusações de quem tem mais culpa. Do parlamento à composição dos executivos e assembleias municipais de Faro e Olhão, estão lá todos os partidos representados e a sensibilidade sobre o que vinha sendo preparado e, sobretudo conhecido, ficou calada até ver. As pessoas que se revoltaram é que os fizeram mexer. Se até aqui não houve e agora pedem diálogo com as associações das ilhas, é porque o autoritarismo governamental sentia que tinha pernas e silêncios para andar...
Nunca é demais dizê-lo, nenhuma Lei pode sancionar o atropelo de gentes que têm quase dois séculos de gerações sobre as ilhas, ainda que outros chegassem por lazer e conivência das autoridades que não negaram as cobranças sobre o que agora chamam de ilegal. A criação das áreas desafectadas não foi para legitimar ou proteger as pessoas genuínas na sua ligação às artes da pesca mas, para satisfazer os interesses de lazer e do poder do dinheiro que ia a banhos. Os poderes foram fechando os olhos e arrecadando mais-valias e com a recente elevação da zona lagunar a maravilha do país, abriram-se apetências que o Governo não quer confessar. O domínio marítimo está coberto na Lei escrita com dois pesos e duas medidas. A renaturalização numas partes subiu a argumento da perseguição aos mais fracos e as zonas problemáticas não tiram o sono ao Governo, aos deputados regionais e às Câmaras.
Contra esta ofensiva governamental através da mão do Programa Polis, onde os executivos camarários têm assento e dinheiro, as populações dirigidas pelas suas associações contrapuseram a negligência criminosa de fechar os olhos aos graves problemas de poluição e de assoreamento das barras e áreas navegáveis, com registos de mortes de pescadores. Os ilhéus não engoliram a falsidade de quem age sobre pessoas indefesas, roubando-lhes os tectos sem alternativas, quando as principais tarefas de dragagens e despoluição têm apenas calendário eleitoral. Polis, Câmaras e ministro do Ambiente nunca dialogaram com os ilhéus mas, muito têm feito para virar cidadãos contra cidadãos, na ilusão de que conseguem isolar a coragem de quem pisa e labuta diáriamente sobre aquelas areias e lamas.
Se esta ofensiva antidemocrática afecta as populações autóctones das ilhas barreira e as das cidades de Faro e Olhão, que estão atentas e mobilizáveis, nenhum Governo tem o direito de se impor pela força. A expulsão do parlamento das centenas de ilhéus que foram assistir a uma votação sobre as demolições, marcou o fosso com os objectivos do Governo, havendo fortes possibilidades da injustiça vir a ser coberta pelo autoritarismo e a violência...

Luís Alexandre
Cidadão

22 de abril de 2015

Bacalhau de novo em festa!

Bacalhau de novo em festa!

Sem que tenha algo contra, porque defendo um programa de animação para a cidade, apenas realço a via encontrada para dar empregos dentro do PSD e para escamotear pela folia, a ausência de trabalho e soluções para os grandes problemas estruturais, desde a recuperação e ocupação de edifícios, à despoluição da Ria Formosa. Finalmente resolveram um problema de higiene pública e deixaram-se de desculpas de falta de dinheiro para instalar uma casa de banho na baixa. Ficaram-se por uma...
Quanto a uma estratégia para dinamizar a fronteira marítima da cidade ainda estamos à espera...


LA Abril/2015

20 de abril de 2015

O canto do xuxa Costa...

O canto do xuxa Costa...

Com quatro anos fora do poder e muita sede de tachos e dinheiro entre a família do falso partido socialista, aproveitando-se do ódio do povo ao actual Governo, António Costa quer apanhar o povo desprevenido, iludindo-o sobre as responsabilidades do PS nas actuais políticas ditadas pela Troika. Fala de seriedade do seu partido se for eleito Governo, com Sócrates na cadeia, Com Vara à solta e o Melancia repastelado nos proveitos públicos, entre muitos outros trafulhas rosas (em Faro têm vários candidatos à cadeia...), quando ainda dança na nossa memória o último Governo que lideraram para a bancarrota e fazendo o contrário do que prometeram,não sendo o Governo apenas contituído por Sócrates...

LA Abril/2015

12 de abril de 2015

Cristóvão Norte: se já não tinha face...

Cristóvão Norte: se já não tinha face...

Cristóvão Norte, finalmente, assumiu ser o braço direito do ministro do ambiente na saga das demolições. Sem falar aos farenses e aos ilhéus, refugiou-se no espaço da Assembleia para secundar a política do seu partido... que disse ser a continuação da do falso partido socialista...
Escondeu-se, portanto, a sumidade, não na concordância objectiva das demolições mas na condição de repescado o projecto do PS. Desconsolado sobre si próprio, depois do discurso que fez sorrir o chefe, sentiu necessidade de vir ao facebook reiterar as promessas de acabar com a poluição, onde os seus raciocínios incluem as casas nas ilhas... ignorando, só por ignorância... os golpes na Fuzeta, Quinta do Lago e Ilha de Faro... onde o domínio marítimo tem outras leituras de cifrões...
Em campanha eleitoral vale tudo e não foi que a merda resolveu chamar mentiroso ao Bacalhau e ao chefe local do PSD, que recebeu garantias do contrário, paralisando até a obra de bandeira da corrente campanha?


LA Abril/2015

9 de abril de 2015

Maiorias absolutas: estabilidade para governar ou desestabilizar?

Texto publicado na edição de hoje do jornal "Barlavento"




Ensaio


Maiorias absolutas: estabilidade para governar ou desestabilizar?

Sendo os argumentos da democracia a representatividade, admitindo que as sociedades têm correntes de opinião e elas derivam de variados factores, o primeiro dos quais a posição dos indivíduos face à apropriação da riqueza produzida, criando as classes, a História recente do nosso país que se libertou de uma ditadura sangrenta e absoluta, onde apenas havia a voz do Estado sobre a perseguição dos individuos, o povo fez nascer de um golpe de Estado a democracia, a liberdade de falar, de organizar e votar em partidos que representam essas classes. Tinha nascido um novo desafio ou uma nova ilusão? Que falem os factos!

Ainda os sinais do fascismo entravam em sono retemperador, já os partidos da hegemonia democrática sentiam que as palavras, deter o poder e a posse do dinheiro público e a influência sobre o dinheiro privado, podiam permitir manobrar o país e o povo de forma confortável, protegidos, já não só na autoridade democrática da Lei, mas no medo que esta passou a infligir. Da representatividade podia-se chegar à maioria absoluta, isto é, de novo ao poder absoluto, desvalorizando artificialmente através do método de Hondt, quem se opusesse. Ainda o povo não percebia o que era e se esforçava pela democracia, e já os altifalantes transferidos do velho poder pediam nos votos, o instrumento que trazia a nova ordem suprema de legitimar, uma maioria, um governo e um Presidente. E foram eles os primeiros a alcançar o primeiro céu da artificialidade das urnas, ainda que sem o Presidente.

Com a maioria absoluta arrecadada sobre a primeira bancarrota gerida pelo PS, o mesmo partido que liderou sem consulta do povo a entrega do país e da sua organização à desconhecida Comunidade Europeia, os Governos de Cavaco Silva retomaram a reconstrução da lógica de posse dos resultados da produção, distribuindo os valores pagos de fora pela venda do país, até que os cofres públicos se apresentassem em nova bancarrota... tendo pelo meio a auto-proclamação de crescimentos económicos não sustentados e apaparicados pelos parceiros... os mesmos que sabiam para onde nos queriam levar...

E se tivémos uma bancarrota, não nos ficámos pela segunda e a maioria absoluta de Sócrates deu-nos a terceira. Em menos de 40 anos, 11 por nossa conta e 29 depois de hipotecado o país. E só um político de topo está preso por não julgada apropriação pessoal. O povo não regressou ao “Cabaz de Compras”, mas engole números de fazer inveja ao fascismo. Nestes sinais, como foram usadas as maiorias absolutas? E não estamos a desenterrar as que os Municípios protagonizaram com os resultados sacudidos para o Estado, isto é, duplamente sobre os cidadãos que são contribuintes e taxados. Fica a pergunta: porque não funcionaram os mecanismos da suposta representatividade? Na democracia parlamentar burguesa haverá mesmo representatividade, ou montagem obscura de processos, de que os votos não nos libertam?

O regime vigente, nas suas vertentes de direitos, distribuição de riqueza e Justiça, já só representa o avanço do capital sobre o trabalho. A sociedade democrática foi minada! As bancarrotas e a abstenção, deviam fazer pensar. E vêm aí mais votos decisivos: deixarmo-nos ficar na prisão ou ter a ousadia de revolucionar... e não deveria ser assim a democracia?


Luís Alexandre
Cidadão

4 de abril de 2015

Mais de 200 embarcações na Luta em Defesa pela Ria Formosa!

Texto retirado do blogue "Olhão Livre"

Mais de 200 embarcações na Luta em Defesa pela Ria Formosa!

Hoje cerca das 12 horas chegou a Olhão ao Cais T, a manifestação de dezenas de embarcações, que partiram de Faro e foram aglutinando embarcações nos cais de embarque das Ilhas do Farol, Hangares e Culatra.
O Cais T é o local de embarque para as essas ilhas e  existe no inicio deste Cais,  um dos mais emblemáticos esgotos da Ria Formosa. conforme se pode ver na foto.

O Caíque era só uma das dezenas de embarcações e encabeçava a manifestação, acompanhavam-no as embarcações de passeios turísticos, onde ia a comunicação social e os representantes das associações em luta pela defesa da Ria Formosa. Era bem visível a faixa pintada pelas  pessoas, na Ilha do Farol, onde era bem visível a revolta das pessoas contra as descargas assassinas com origem em esgotos da CMOlhão.


Notícia de abertura do telejornal, esta luta em defesa da Ria Formosa, não pode desmobilizar.



26 de março de 2015

Faro: pela proposta de referendo se chega ao ridículo!

Texto publicado na edição de hoje do jornal "Barlavento":

Faro: pela proposta de referendo se chega ao ridículo!

Elevado a diferendo o que é um problema social alimentado pelos sucessivos poderes autárquicos dividos entre PSD/CDS e PS, estes, em plena pré-campanha eleitoral legislativa, resolveram fazer da desordem no único Parque de Campismo do concelho e situado na Praia de Faro, um problema de suposta divisão onde sempre estiveram unidos.
Se nenhum farense pode continuar indiferente à desordem social instalada naquele espaço público, em que se refugiou o desinvestimento público, também não podemos desprezar quem e porquê o consentiu! O Parque tinha regras que não foram cumpridas, em primeiro lugar pelo proprietário – a Câmara Municipal de Faro – que, na sua exclusiva responsabilidade criou a ocupação prolongada indevida que se transformou em residências permanentes e em claro abuso.
Com a negligência pública a transformar-se em problema social - a incapacidade de várias famílias poderem aceder a habitações condignas -, é de todo inaceitável que um executivo dirigido pelo ex-vice-presidente, depois de acordos assinados com os ocupantes por iniciativa do presidente Macário Correia, onde há um reconhecimento tácito do problema, possa vir defender em nome dos cidadãos a retoma indiscriminada do espaço, curiosamente sem a consulta que se propõe, para fazer um parque... de estacionamento, quando e mais paradoxalmente o anterior executivo foi o pai da ideia de um parque exterior não acabado e um meio de transporte deste para a ilha... ambos em falhanço quase absoluto...
Com a composição do actual executivo a não se entender e não porque tivessem problemas de consciência do monstro que criaram, porque as pessoas não apagam as estratégias dos partidos, antes pelo contrário... os farenses não devem cair neste logro de pura compita eleitoral, como nossos “donos” pela minoria de votos na percentagem do eleitorado, para decidirem de forma prepotente... ou pelo ridículo de um referendo... ficando a reparação das calçadas, dos buracos nas estradas e a pintura das zebras à espera do mesmo critério...
Como farense e tendo falado com muitos outros, o cenário teatral criado não nos deve retirar da exigência do essencial, que é o serviço público assumir as suas responsabilidades de realojamento do elo mais fraco, de nada servindo culpas contra pessoas que se excederam, mas não têm autoridade sobre as leis e regulamentos.
PSD/CDS, que já devem ter um concessionário em carteira, tal como PS, aliado à CDU, aparecem ao fim destes anos todos e por motivações diferentes, uns pela pressa da conjuntura favorável até às eleições e outros apenas pelo comboio dos votos, numa disputa em que a proposta de ocupação como parque de estacionamento de receitas não é uma contradição... quando aquele espaço público em critério rigoroso sobre a má experiência, deve ser totalmente restituído aos cidadãos do concelho, para seu usufruto em primeiro lugar e para receita da autarquia como acolhimento dos visitantes caravanistas e outros, ao longo do Inverno...


Luís Alexandre
Cidadão natural de Faro