21 de janeiro de 2012

A pobreza presidencial...

Porra! Ninguém dá razão a Cavaco

 Senhor presidente, nós (FaroActivo) percebemos o seu descontentamento. Ao preço que está o custo de vida em Portugal, aumentado com a sua proeminente ajuda, calculamos as dificuldades para pagar as contas do seu respeitado e elevado nível de vida. 

A populaça imberbe, que não tem dinheiro para nada, não percebe que é preciso manter a elegância dos mais altos representantes da hierarquia do Estado. Nunca estará certo deixá-los passar pelos problemas de contar as notas de 50 euros. 

Até porque a Banca não tem o dinheiro das famílias para lhes emprestar e nem V. Exª. pode contar com o afecto especial do BPN, Banco que ajudou a fundar e que protegeu com o seu nobre silêncio de brilhante economista que deixa a economia fluir, principalmente quando muitos amigos e vizinhos estão em causa.

E outra forte razão de Cavaco, perdoem-nos a sua defesa, é que muitos que ajudou a crescer, política e financeiramente, passaram a ganhar mais, recebem prémios de (im)produtividade que a Presidência não dá, tal como indemnizações chorudas que a Presidência não dá  e terminam as carreiras com reformas bem superiores.

Face a tudo isto, fiquem os leitores e invejosos a saber que estamos com sua Excelência.

(E até lhe perdoamos ter desviado o dinheiro  que deveria ter acabado a tempo a Via do Infante, porque depois de chegar a Faro, demorou muitos anos a chegar a Lagos e por aí ficou.)


FaroActivo




Secretário de Estado visita Direcção Regional de Agricultura

Sai o compadre Castelão, entra o compadre Severino


Na dança dos tachos, saiu o P"S" e entrou o PSD. O senhor Secretário veio ao Algarve para saudar a nova direcção por si escolhida e sossegar os trabalhadores da administração. Falou do centro de investigação do Patacão e do seu papel nas áreas dos citrinos, da agricultura biológica e da horto-fruticultura. Mais não sabemos.

Mais não sabemos mas desconfiamos que tudo vai continuar na mesma em relação ao abandono dos campos, aos estímulos, aos circuitos de distribuição, aos preços pagos aos produtores, aos apoios às empresas do sector (a histórica  Adega de Lagoa passa por dificuldades) e à aplicação dos fundos comunitários.

Quando este sector podia e devia alimentar os algarvios, uma parte do país e até exportar (o projecto da Hubel é apenas uma pedrada no charco), continuamos a saber que o interesse das pessoas pela agricultura continua em queda e a vermos as prateleiras da grande quantidade dos hiper e super-mercados cheios de produtos importados.

Com uma população de 400 mil habitantes e um número oscilante de visitantes na casa dos dois milhões, o sector da agricultura, um dos sacrificados nas negociações europeias e porque ninguém fiscaliza o cumprimento da lei da incorporação dos produtos regionais, poderia ser alvo de políticas de incentivo e sustentação.

Temos dúvidas que o Secretário de Estado se tenha preocupado com estas questões. Já outros se esqueceram e o Algarve vê a sua agricultura definhar.


FaroActivo






20 de janeiro de 2012

Naufragar é preciso?


Um texto saboroso (ou gostoso como diriam os brasileiros) sobre o dito acordo ortográfico…


"Começa a ser penoso para mim ler a imprensa portuguesa. Não falo da qualidade dos textos. Falo da ortografia deles. Que português é esse?

Quem tomou de assalto a língua portuguesa (de Portugal) e a transformou numa versão abastardada da língua portuguesa (do Brasil)?

A sensação que tenho é que estive em coma profundo durante meses, ou anos. E, quando acordei, habitava já um planeta novo, onde as regras ortográficas que aprendi na escola foram destroçadas por vândalos extra-terrestres que decidiram unilateralmente como devem escrever os portugueses.

Eis o Acordo Ortográfico, plenamente em vigor. Não aderi a ele: nesta Folha, entendo que a ortografia deve obedecer aos critérios do Brasil.

Sou um convidado da casa e nenhum convidado começa a dar ordens aos seus anfitriões sobre o lugar das pratas e a moldura dos quadros.

Questão de educação.

Em Portugal é outra história. E não deixa de ser hilariante a quantidade de articulistas que, no final dos seus textos, fazem uma declaração de princípios: “Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia”.

A esquizofrenia é total, e os jornais são hoje mantas de retalhos. Há notícias, entrevistas ou reportagens escritas de acordo com as novas regras. As crônicas e os textos de opinião, na sua maioria, seguem as regras antigas. E depois existem zonas cinzentas, onde já ninguém sabe como escrever e mistura tudo: a nova ortografia com a velha e até, em certos casos, uma ortografia imaginária.

A intenção dos pais do Acordo Ortográfico era unificar a língua.

Resultado: é o desacordo total com todo mundo a disparar para todos os lados. Como foi isso possível?

Foi possível por uma mistura de arrogância e analfabetismo. O Acordo Ortográfico começa como um típico produto da mentalidade racionalista, que sempre acreditou no poder de um decreto para alterar uma experiência histórica particular.

Acontece que a língua não se muda por decreto; ela é a decorrência de uma evolução cultural que confere aos seus falantes uma identidade própria e, mais importante, reconhecível para terceiros.

Respeito a grafia brasileira e a forma como o Brasil apagou as consoantes mudas de certas palavras (“ação”, “ótimo” etc.). E respeito porque gosto de as ler assim: quando encontro essas palavras, sinto o prazer cosmopolita de saber que a língua portuguesa navegou pelo Atlântico até chegar ao outro lado do mundo, onde vestiu bermuda e se apaixonou pela garota de Ipanema.

Não respeito quem me obriga a apagar essas consoantes porque acredita que a ortografia deve ser uma mera transcrição fonética. Isso não é apenas teoricamente discutível; é, sobretudo, uma aberração prática.

Tal como escrevi várias vezes, citando o poeta português Vasco Graça Moura, que tem estudado atentamente o problema, as consoantes mudas, para os portugueses, são uma pegada etimológica importante. Mas elas transportam também informação fonética, abrindo as vogais que as antecedem. O “c” de “acção” e o “p” de “óptimo” sinalizam uma correta pronúncia.

A unidade da língua não se faz por imposição de acordos ortográficos; faz-se, como muito bem perceberam os hispânicos e os anglo-saxônicos, pela partilha da sua diversidade. E a melhor forma de partilhar uma língua passa pela sua literatura.

Não conheço nenhum brasileiro alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Fernando Pessoa na ortografia portuguesa. E também não conheço nenhum português alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Nelson Rodrigues na ortografia brasileira.
Infelizmente, conheço vários brasileiros e vários portugueses alfabetizados que sentem “desconforto” por não poderem comprar, em São Paulo ou em Lisboa, as edições correntes da literatura dos dois países a preços civilizados.

Aliás, se dúvidas houvesse sobre a falta de inteligência estratégica que persiste dos dois lados do Atlântico, onde não existe um mercado livreiro comum, bastaria citar o encerramento anunciado da livraria Camões, no Rio, que durante anos vendeu livros portugueses a leitores brasileiros.

De que servem acordos ortográficos delirantes e autoritários quando a língua naufraga sempre no meio do oceano?"


O texto que acabaram de ler é de autoria de João Pereira Coutinho, escritor português e foi publicado na Folha de S. Paulo.
O pasquim "O Algarve" está com soluços?




O pasquim editado pela ACRAL não circulou na semana passada e vamos aguardar por esta para sabermos dos seus sinais vitais de vida.

O seu desaparecimento, no actual contexto em que era escrito e participado, deixa na orfandade muito lixo político que ali debitava de cátedra as opiniões que os mantêm vivos e candidatos aos mais variados cargos.

Pelos vistos, a associação de comerciantes proprietária, não usou os 530 mil euros que andavam fora dos circuitos da contabilidade para acertar as contas e manter o pasquim de pé.

Como jornal decano, lamentamos a sua perda (se vier a acontecer), mas nunca pela direcção, conteúdos e propósitos que o orientavam.


FaroActivo

19 de janeiro de 2012

Quem disse que a dança das cadeiras não chega à CCDR?



Depois de tratados os tachos menores mas sempre apetecíveis nos variados organismos tentaculares do Estado na região, a CCDR fia mais fino. É um centro de decisões muito importante e carece de muito cuidado nas escolhas embora não faltem os artistas em bicos de pés.

Aqui o Governo tem ideias mas os sobas regionais têm sempre uma palavra a dizer. Está ali muito dinheiro em jogo e são muitos os apetites para se alambusarem. Corre ainda um QREN e apesar dos anteriores terem sido malbaratados por esta gente e sem resultados estratégicos na vida social e económica do Algarve, este tem de enquadrar renovados interesses.

Vamos aguardar, que está aí a rebentar!


FaroActivo
Troika conspurca Olhão


Tal como conspurca o país, a Troika foi responsabilizada pelo presidente da Câmara de Olhão pelo atraso das obras de saneamento básico previstas para a Doca de Olhão e das quais depende o funcionamento de uma fábrica.

Estas obras, que foram propaganda do edil do P"S", estavam previstas nas verbas do PIDDAC para o ano de 2011. Com as imposições da Troika de cortes na despesa pública, o presidente da Câmara de Olhão ficou com a merda nas mãos. A sua propaganda andou à frente dos factos e foi traída pelas cúpulas do seu próprio partido quando assinaram o memorando da ingerência estrangeira.

O investimento privado está parado, o emprego também e as soluções tardam! 

Francisco Leal, o presidente apressado que não faz o trabalho que lhe compete, é justamente acusado de não acautelar os interesses dos cidadãos de Olhão e de continuar impunemente a poluir a Ria Formosa.


FaroActivo

18 de janeiro de 2012

O que precisa mudar no Turismo



As alternâncias na área governamental têm sido sinal de mudanças de cosmética no sector do Turismo. Mas o essencial, os planos que transmitem confiança aos operadores, são secundarizados, deslocados no tempo, quando têm objectivos a cumprir.
 

Depois de uma década reconhecida de impasse na principal actividade económica do Algarve e quando a grave crise económica e financeira da Europa cobre de nuvens cinzentas o sector, mais uma vez, a intervenção governamental passa primeiro por nova escalada reorganizativa.
 
Cada ciclo de poder traz uma mão cheia de mudanças estruturais, sendo que as da actual Secretária de Estado têm uma afirmada chancela economicista.
Na linha de orientação deste Governo, que corta sem acautelar os impactos, particularmente entre os mais fracos, a titular do Turismo quer poupar 6 milhões em questões administrativas, nega que vá descarregar os cortes sobre a manutenção de postos de trabalho (veremos no futuro) e não adiantou o que pensa e projecta para a recuperação do sector.
Com seis meses no cargo e os dados em cima da mesa, Cecília Meireles, indigitada pelo CDS, chega ao fim de Janeiro sem uma estratégia e planos que a consubstanciem.
O que a Secretária de Estado tem de entender é que toda a região do Algarve está em suspenso, precisa de planear uma nova época e os únicos indicadores que dispõe são os desabafos do presidente da AHETA, sobre o previsível descalabro de perdas com o mercado nacional que poderão ultrapassar os 30%.
 
Sobre os mercados estrangeiros, no conhecimento da acumulação dos constrangimentos financeiros dos principais mercados emissores, o que se ouve é a redução da actividade de alguns operadores e que as operações de “incoming” (contratação) estiveram aquém do desejável.
 
A três meses do arranque oficial da época turística e depois de um Inverno dominado pelas sucessivas más notícias no tecido empresarial, com os números conhecidos em falências, despedimentos, salários em atraso e conflitualidade de tesouraria, tributária e judicial, é de todo legítimo questionar a Secretária de Estado sobre o que já fez (?!) para trazer alguma racionalidade, estruturação e confiança aos agentes económicos do sector.
 
Não é de todo incongruente afirmar que vivemos a maior crise de sempre no sector do Turismo e que compete às autoridades em serviço definirem os parâmetros em que esta tem de funcionar.
 
O que é realmente incongruente, é a indefinição que vivemos e a forma como as mudanças de cor política do poder provocam instabilidade nas estruturas que normalmente são vítimas da voracidade pelos cargos, onde os cartões partidários ocupam os lugares que deveriam ser confiados a profissionais experientes do sector e, certamente, obteriam um nível superior de produtividade como seriam responsabilizados pelas suas decisões.
 
Na realidade, nos últimos anos em que a competitividade entre os destinos se agudizou e o Algarve se mostrou incapaz de sair da estagnação, nenhum governante trouxe estabilidade e desenvolvimento ao sector do Turismo.
 
Para o poder é fácil lançar impostos e aumentos de encargos sobre as empresas e os indivíduos, sem cuidar da capacidade que o obriga a criar riqueza.
 
E pela amostra, nem tão cedo alguma coisa vai mudar…

Luis Alexandre